Camisas históricas, Colecionadores, Notícias

Beno Suckeveris: pedir autógrafo na camisa do rival, pode?

Eu fui jornalista por mais de 25 anos.

Na verdade, se a carreira não tivesse sido interrompida várias vezes, na maioria deles, contra a minha vontade, em setembro, completaria 33 anos, provavelmente, aposentado e curtindo uma praia ou pedalando numa cidade da Austrália.

Boa parte da minha vida profissional foi dedicada ao jornalismo esportivo, uma paixão que vem de criança, quando jogava e narrava sozinho meus jogos de futebol de botão.

Como toda criança, sonhei em ser jogador de futebol.

autografo
Manto sagrado do Timão assinado por Rivellino: relíquia

Comecei como ponta-esquerda – sou canhoto nos pés e destro nas mãos, e terminei como líbero, o zagueiro da sobra.

Os joelhos ruins atrapalharam meu futuro.

Garanto que chuto e passo melhor do que muito profissional.

Mas, o assunto aqui é camisa de futebol e não a minha vida, certo?

Como jornalista esportivo, tive o prazer de encontrar pela frente alguns dos meus ídolos – Pelé, Rivellino, Ayrton Senna, Mário Sérgio, Basílio, Zé Maria, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno etc – já não peguei a geração do Neymar & cia.

Tenho uma camisa autografada pelo Rivellino que, ao lado de Sócrates, é o maior jogador que vi jogar pelo Corinthians.

Seria um fato corriqueiro se eu não tivesse a maior vergonha de pedir autógrafo.

Rivellino me deu atenção, após mais de duas horas de espera na fila para a biografia dele escrita pelo competente Maurício Noriega.

Arrependimentos? Tive vários.

Camisa do São Paulo, sem a assinatura do mestre Telê: arrependimento!
Camisa do São Paulo, sem a assinatura do mestre Telê Santana: arrependimento!


Além dos supracitados acima, exceto o Rivellino, perdi grandes oportunidades de obter um autógrafo.

Um pouco de vergonha e também por uma ética quase infantil do jornalista que não quer misturar estações e se passar por “corrompido” por pedir um favor a quem está do outro lado do balcão.

Um vício que peguei na TV Cultura antes dos “apoios culturais”, das falsas vestais Folha de São Paulo e Rede Globo Bobagem.

Tudo isto para chegar no Telê Santana.

Mestre Telê Santana: aula de futebol
Mestre Telê Santana: aula de futebol

Na época, treinador do São Paulo supercampeão.

Bem-humorado, ele deu uma coletiva à imprensa no lançamento de uma camisa de uma marca nacional, que vendeu muito antes da chegada das gigantes mundiais.

Cada jornalista presente recebeu uma camisa de treino.

O idiota que aqui escreve, que torce para outro clube que não o São Paulo, ficou tímido e não pediu autógrafo para o Telê.

A camisa, uma relíquia, poderia ser enobrecida com o nome do maior treinador de seleção brasileira até a ascensão do Tite.

Ela está guardada numa gaveta e só usei em público para pagar uma aposta com os amigos tricolores das peladas de sábado. Mas, como me arrependo…

autografo
Beno Suckeveris: jornalista, escritor, apaixonado por futebol e colecionador de ótimas histórias.

About João Almeida

Jornalista com mais de 25 anos de profissão, apaixonado pelo futebol, estudioso e analista do mercado movido por esta paixão.
View all posts by João Almeida →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *